Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

Mel...

 
Queres-me doce, deliciosa, tentadora.
Queres-me mel, prazer sacarino que te toca suave e te adula.
Queres-me em deleite no teu corpo, presa nos teus apetites e a derreter na tua língua.
Na tua pele. No teu suor. Nos teus poros. No teu prazer.
No teu sexo.
Mas… e se eu for mel daquele que não escorre?
Daquele mel que cola, que fica preso, consistente…
Daquele mel que flui para ti mas não goteja, mel com certezas e crenças férreas?
Não sou mel derretido, meu amor.
Sou mel que se funde somente nas altas temperaturas da paixão.
Mel firme que se consome na lava da luxúria, que se liquefaz apenas na lascívia de que eu me alimento para ser plena.
Contigo inteira.
Sou mel de amor, mel consorte e seguro, mel que dá lastro aos teus apetites e que venera sentir-te em fome.
Mas… só serei líquida no teu corpo se explodires, se fores vulcão em mim, se te entregares nesse ardor que me dá cor à vida.
E só em ti poderei brotar assim. Porque só tu me dás favos onde poderei, sólida, renascer.

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Metamorfoseando (de volta ao discurso direto)…

Segura-me.
Abraça-me.
Dá-me chão.
Dá-me força.
Dá-me forma.
Dá-me corpo.
Caminho-me, assim, segura para ti.
Dou-me-te…
… Se em metamorfose me quiseres.


Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Under the real life...



"... it's out of his hands, over his head
out of his reach, under this real life
hidden in veils, covered in silk
he's dreaming of what might be

out of his hands, over his head
out of his reach, under this real life
hidden in veils,
he's dreaming of mystery..."

Suzanne Vega - "Pornographer's Dream"

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Sábado, 19 de Novembro de 2011

Saída em defesa do (bom) ciúme...


O ciúme anda nas bocas de toda a gente.
O ciúme anda nas bocas do Mundo.
Mais que isso: o ciúme anda nas bocas dos amantes. Ser amante de alguém é viver um mundo a dois, é fundir corpos e esforços, corações e intenções, beijos e bocas. E não bocas com lábios, mas bocas mandadas, palpites que se atiram certeiros à espera do retorno em ricochete. Palavras com efeito boomerang que por vezes nos trazem de volta aquilo que não planeamos. Emoções exacerbadas pelo sentido de posse e pela certeza irreal de que o outro nos pertence. É aí que o ciúme escala e se projecta para níveis superiores de insanidade.
Sim, o amor rodeado do mau ciúme leva-nos a lugares dementes na sua luz, lúgubres nas paisagens, fétidos na paixão que devora os amantes mas os deixa nauseados. O mau ciúme faz mal. Envenena as afinidades e condena-as ao fracasso. Não significa isso que os amantes se separem fisicamente, mas sim que não se sentirão felizes e plenos a dois. O mau ciúme pode levar à ruptura de amores promissores ou à mesmice de um sentimento enfastiado, que enjoa mas se tolera. E a afeição não deve ser tolerada. Deve ser saboreada como a mais rara e inigualável iguaria. O amor deve ser cheirado como a mais requintada das fragrâncias. Deve ser olhado todos os dias como se fosse renascido, amor à primeira vista em cada amanhecer juntos. O amor deve ser escutado como a mais bela das sinfonias, que nos acaricia e nos faz voar quentes. Deve ser tocado com cuidado, manuseado como cristal de rosto delicado e em transparência de comoções.
E que não se julgue que este bom amor deva ser ausente de ciúme. O bom ciúme é pedra basilar do empenho numa relação. O bom ciúme é aquele alerta que tilinta o coração, que o faz estar desperto para as carências, vontades e anseios do outro. É perceber que a pessoa que se ama não nos pertence e sentir urgência de nela investir, dela cuidar, acarinhar, mimar, nutrir.
O bom ciúme não é de equilíbrio fácil. É instintivo derrapar do bom para o mau. É rápido a mudar a sua forma e veloz a comprometer o bem-querer onde tanto se investiu. Porém essa luta vale a pena. Esse crescimento a dois, a adaptação ao outro, o moldar vidas e essências, é duelo que deverá ser enfrentado para ganhar. Uma conquista que só dará sabor, grandeza e sentido ao amor.


Ps: eu também!


... says:
Amo-te... tu és a minha inspiração...
... says:
bocadinho de mim que me faz sorrir...
... says:
calor de pele que me arrepia quando sorris...
... says:
cheiro do cabelo que me envolve, enlouquece...
... says:
olhar que me faz ficar pequenino...
... says:
lábios que escondem o beijo perfeito...
... says:
dentes que me marcam a pele de fome e de prazer...
... says:
ouvido no qual sussurro o meu amor e palavras que te fazem tremer...
... says:
corpo que adoro abrigar, abraçar e protejer como se do meu abrigo também se tratasse...
... says:
obrigado por estares na minha vida. Amo-te.

by: "..."
;)

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Pendurada nas tuas mãos...


"Talvez não tenha sido coincidência ter te encontrado
Talvez tenha sido o destino que o tenha feito
Quero adormecer no teu peito novamente
E então eu acordar com teus beijos.

Teu sexto sentido sonha comigo
Sei que em breve estaremos juntos
Esse sorriso travesso que vive em mim
Sei que em breve estará no teu caminho.

Sabes que estou pendurada nas tuas mãos
Portanto, não me deixes cair
Tu sabes que estou pendurada nas tuas mãos.

Envio-te poemas manuscritos
Envio-te canções de "Cuatro Cuarenta*"
Mando as fotos do jantar em Marbella
E quando nós estávamos na Venezuela
E assim me recordes e tenhas presente
Meu coração está pendurado nas tuas mãos
Cuidado que o meu coração está pendurado em
tuas mãos.

Não perderei a esperança de falar contigo,
Eu não me importo com o que diz o destino.
Eu quero o teu perfume para mim
E beber de ti o proibido.

Tu sabes que estou pendurada nas suas mãos
Portanto, não me deixes cair
Tu sabes que estou pendurada nas tuas mãos.
(...)"

Carlos Baute com Marta Sanchez - "Colgando en tus manos" (tradução)


Há músicas que são espelhos nossos... 
... não falta lá nada, nem o chupa-chupa. ;)

Domingo, 6 de Novembro de 2011

Carta a um amigo...


Vou sentir-te a falta.
Vou sentir a falta de te ter perto mesmo sem nunca te tocar fisicamente. Vou sentir a falta da tua presença incorpórea, do teu sorriso invisível, do teu respirar que imagino quente, do teu olhar no meu sem que me vejas, conseguindo avistar e perceber mais do que muitos que pensam me conhecer.
Vou sentir-te a falta.
Vou sentir a falta de te sentir feliz de cada vez que me lês ou me vês virtualmente chegar. Vou sentir a falta do teu olá, das nossas infindas divagações, das nossas intermitentes discussões, de te dizer adeus ou até já.
Vou sentir-te a falta.
Vou sentir a falta do teu colo e do teu mimo sempre que me sentes triste. Vou sentir a falta de quando resmungas, de quando me ralhas, de quando contigo amuo, de quando me consolas e do abraço emocional que depois me ofereces.
Vou sentir-te a falta. Como se sente a falta de quem nos faz parte e é indivisível de nós.
Vou sentir a falta de um pedaço de mim impalpável e que no meu cerne se mistura. Vou sentir a falta de quando me consolidas, de me dares raízes e solo, de me fazeres segura e com amarras para crescer.
Vou sentir-te, sempre, muito a falta.

"... Os teus passos de anjo, como se fossem silêncio..."

Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

Banana Mode ----- > ON


"... Thanks for the memories, thanks for the memories
- See, he tastes like you only sweeter! ..."

Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Para quem ainda não entende...

Os primórdios, revisitados. Nostalgia pura.


"... Baby it's yours
All yours
If you want it tonight
I'll give you the red light special
All through the night
Baby it's yours
All yours
If you want it tonight
Just come through my door
Take off my clothes
And turn on the red light..."

"Red Light Special" - TLC


Para ler esta mesma noite, há 4 anos atrás, quando tudo começou:

Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Te fazer amor...


Hoje volto à primeira pessoa em discurso directo. Há muito tempo que não o faço. Preciso que me sintas e não a um personagem de ficção. Preciso que me perscrutes o olhar em cada palavra que te deixo. Preciso que me contemples o coração enquanto o coloco a pulsar nas tuas mãos.
Não sabias que o meu coração está nas tuas mãos? Está. Está e estará sempre. Aconteça o que acontecer, mude o que mudar. Ele bate ao ritmo do sangue que te palpita as veias, bombeia amor em cada respirar teu, alimenta-me do teu suor a vontade de ser sempre tua. É assim que gosto de te fazer amor, de te fazer amado, de te fazer querido, de te fazer desejado. Com o meu coração nas tuas mãos.
Hoje poderia te fazer amor como se fosse a última vez. Deixas-me ter-te assim? Sôfrega, sequiosa, desesperada para te beber num só trago e te arrebatar em mim para sempre.
Queria poder esvair-me de prazer no teu corpo em despedida, dizer-te adeus com o teu sexo dilatado a bloquear-me na boca as palavras. Queria poder acenar-te com o meu peito a pular sobre o teu, naquele gesto que oscila repetido e adivinha a distância. Queria soltar lágrimas de saudade enquanto o teu orgasmo explodisse no meu deleite. Queria te fazer amor como nunca to fizeram, gravar-me em ti tatuada em pele molhada, deixar o odor do meu afecto penetrar os teus poros para a eternidade.
Queria? Não. Quero! Mesmo que seja só por palavras e fortes vontades, aqui e agora faço-te amor como nunca ninguém.


Assim sem ti...

Domingo, 23 de Outubro de 2011

Landing in...


"... I'll use your light to guide the way
'Cause all I think about is you..."

Sábado, 22 de Outubro de 2011

Amar(-te) é...

 
Amar(-te) é estar, sempre, quando (nos formos) preciso.
Amar(-te) é (eu) ser antídoto de (teus) deliciosos venenos.
Amar(-te) é ampliar cada poro (teu) e imaginar fluir(-me) nele.
Amar(-te) é esperar o próximo momento a dois com infinita saudade.
Amar(-te) é ser espelho, mesmo quando este se estilhaça e (nos) fere.
Amar(-te) é ser tudo na ausência, sendo um universo na (tua) presença.
Amar(-te) é sentir aquele odor frutado mal os (nossos) olhares se cruzam.
Amar(-te) é perscrutar um olhar (teu) semicerrado e ver uma alma aberta.
Amar(-te) é quebrar tabus, ultrapassar barreiras, desafiar (nossos) limites.
Amar(-te) é ser a tentação de um santo, ajoelhar aos seus (teus) pés e rezar.
Amar(-te) é concertar (tuas) asas quebradas e impulsionar(-te) de novo a voar.
Amar(-te) é querer chantilly na pele a percorrer o (teu) peito que bate (por mim) forte.
Amar(-te) é vestir(-me) de mar, só para estar em sintonia com a (tua) cor e brisa predilecta.
Amar(-te) é transformar (meus) seios em ameixas sumarentas que (teus) desejos alimentam.
Amar(-te) é deixar o (meu) corpo ser dedilhado como uma guitarra e cantado ao (teu) ouvido.
Amar(-te) é liquescer gelo em lava, (teu) icebergue másculo derretido no (meu) vulcão uterino.
Amar(-te) é lambuzar os (meus) lábios carmim em lábios (teus) de mel dourado, fundir beijos ardentes.
Amar(-te) é ser o (meu) sexo melancia madura que se (te) abre na boca, matando(-te) sede, fome e paixão.
Amar(-te) é ser(-te) tudo, é ser(-te) nada, é ser (tua) imagem, é ser (meu) poema, é ser (nossa) loucura, é ser (tua) cantiga, é (eu) ser fruta, é ser Fénix (a ti)renascida, é fazer sentido, é deixar de o ter.
Amar(-te) é… (sermos) tanto.


Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

A lembrar como se derrete gelo...

Amor puído...

O amor pode ser como aquele tecido puído, carcomido, que precisa de um reforço de quando em vez.
Quando o pano que envolve um coração está gasto em demasia precisamos de o passajar com linhas firmes e resistentes, tornando-o mais forte e, se possível, colorido.
O amor puído não é um amor que morre. É um amor que, se cerzido da maneira certa, evolui e se transforma, sem aparentes cicatrizes de emoções envelhecidas. Elas estão lá, mas passaram a fazer parte dos alicerces dos novos sentimentos. São como alinhavos e pespontos que são o cerne do que de maior está para vir.
O amor puído poderá ser um amor polido, onde só as arestas dos corpos de quem ama farão fricção no seu brilho. Esse casear de comoções encaixa os amantes um no outro, tornando-os telas bordadas em bases sólidas e, juntos, imortais.


Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Distância...


Ela tem-no debaixo de olho. 
Somente os separa a distância do sal que arde na retina, escorre a face e se deposita nos lábios de ambos.


Bye-bye time...

Domingo, 9 de Outubro de 2011

Escolhas...


Como pode um homem escolher entre duas mulheres aparentemente iguais? Ambas bonitas, ambas inteligentes, ambas astutas, ambas sorridentes, ambas enigmáticas, ambas sensuais, ambas profundamente sexuais.
Ele coloca as duas, lado a lado, e faz um esforço mental para lhes ignorar as semelhanças. Não consegue. Dois corpos femininos, semi-despidos, somente tapados com uma lúbrica lingerie preta que lhes cobre o busto e o sexo. Meias de ligas rematam o conjunto criando um desenho, delineado entre o tecido e a pele, impossível de resistir.
Uma das mulheres, perante o seu olhar másculo que a perscruta, leva a mão à pequena peça de pano que lhe tapa um profundo jardim secreto e, suavemente, desce o mesmo mostrando a passagem que conduz às suas profundezas uterinas.
A outra mulher simplesmente o contempla intensamente, olhos com olhos, e coloca a sua mão direita sobre o coração. Somente isso. Sem convites explícitos que possam conduzir à luxúria ou à desejada obscenidade.
Nesse momento aquelas duas fêmeas aparentemente iguais passam a distinguir-se de forma clara e evidente. Uma oferece o corpo, a outra oferece a alma. Uma entrega-lhe prazeres carnais vazios de amor, a outra dá-lhe o espírito num corpo que é metade do seu. Uma contenta, outra completa. Uma é migalha, outra um milhão. Uma é lava, outra é vulcão.
O homem, apesar de no seu íntimo estar seguro de quem quer, sabendo ao certo a mulher que realmente deseja para companheira de vida(s), continua com dúvidas masculinas na escolha. Debate o seu instinto animal com a sua emoção. Digladia-se entre a fêmea que se entrega quase de pernas abertas para a procriação com aquela que, fazendo-o de forma mais reservada, lhe toma também o ânimo. Uma dar-lhe-á prazeres imediatos, masturbações automáticas a dois, vazias de conteúdo. Outra dar-lhe-á o deleite do amor infindo cujo corolário são inacreditáveis orgasmos mútuos, que doem de tão violentos que se adivinham ser.
Ele luta entre o respirar e o ficar sem ar. Entre o receber e o dar. Será que o efémero ganhará neste duelo com o eterno? Dúvida fácil de resolver, decisão simples para quem sabe o valor de verdadeiramente amar… livre arbítrio para o homem que a uma só se poderá entregar.




Sábado, 8 de Outubro de 2011

Do longe pode fazer-se (muito) perto...


... tão perto quanto dois corações, que se amam, quiserem.


A entrar, madrugada dentro, assim... ;)


"...
I don't need to try to control you
Look into my eyes and I'll own you
...
Maybe it's hard when you feel like you're broken and scarred
Nothing feels right
But when you're with me, I'll make you believe
That I've got the key
..."

Maroon 5 feat. C. Aguilera - "Moves Like Jagger" 

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Outono...


Ela sente-se do avesso, em reviravolta, com as costuras à mostra. Vazia e flutuante como aquela folha de Outono que cai aos seus pés. A folha plana à sua volta vagarosa, rodeia-lhe o corpo, toca-lhe ao de leve e precipita-se de mansinho para o chão. Pousa em cima do seu sapato de tacão alto, virada ao contrário, com as suas cores vivas escondidas contra o chão cálido de um tardio Verão de Outubro. Ela só lhe vislumbra os veios já sem vida e pulsação, as cores escondidas contra si, numa contrariedade que se sofre rasteira. A folha parece que foi bordada com linha de alinhavo, fraca, que se quebra aqui e ali em pespontos pouco firmes e nada certos.
Hoje aquela folha caída é a sua imagem em fotocópia. Ela é uma mulher quente mas que, nesta estação do ano, se apagou. Apaga-se para dar vida ao que de novo está para vir. Estar do avesso tem o seu papel nos ciclos que a sua existência impõe, uns ligados aos outros, que alargam e engrandecem o espectro das suas emoções. O seu coração está em Outono soalheiro mas amanhã ficará mais frio. Entrará numa hibernação necessária que a fará de novo desabrochar, mais para a frente, em flores bordadas e profusas que o seu homem poderá colher, cheirar e (ainda mais) amar.


Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

A precisar de (te) mergulhar...


... como se fosse a última vez. 
Num momento húmido.
Sem pressas.
Sem ar. 


Domingo, 2 de Outubro de 2011

Na mouche!...


- És uma mulher “na mouche”! – disse-lhe ele com um sorriso entre o maroto, desafiador e sincero.
- Sou uma mulher na quem?! – perguntou-lhe ela surpreendida pela descontinuidade repentina da conversa que, de mãos dadas, resvalava para o sexo e começava a aquecer.
- Eu disse que és uma mulher “na mouche”. Aquela mulher que é a mulher certa, autêntica. Uma mulher com M grande, cheia de grandes qualidades e maiores defeitos. A mulher completa que procurei incessantemente e acabei de agora mesmo, em ti, encontrar.
Ela contemplava-o desconcertada, sem saber o que lhe dizer. O seu olhar falava a sério, mas a expressão “na mouche” tinha algo de trocista que sempre lhe desagradara. Soltou a mão que tinha na dele e encarou-o de frente.
- Não te entendo. O que queres dizer com isso? De onde apareceu? Vindo do nada? Conheces-me tão pouco, há tão pouco tempo…
- Enganas-te. Conheço-te inesperadamente bem. Talvez estranhamente melhor que a mim próprio. Tu dás-te. Dás-te toda. Enquanto estávamos aqui a descambar a conversa para o sexo, toda tu te davas. As mãos, o peito, a boca, o ventre, as pernas… toda. Tu dás-te. Entregas-te. Ofereces o teu espírito sem dares por ela. E isso é único. Raro. Apetecível.
- Dou nada! Era só o que me faltava. Dar-me a quem quer que seja! Não me dou, ninguém me tem, nunca o meu corpo ou coração irão pertencer a ninguém. Não! Não me dou.
Afastou-se um pouco do seu corpo másculo. Ali naquele banco de jardim na cidade, entre outros casais que passeavam, entre velhotes que jogavam cartas em pequenas mesas à sombra das árvores, entre crianças que jogavam à bola e donas de casa que passeavam o seu cão. Fugiu-lhe meio metro para pensar.
“Na mouche”! Ela não se sentia ser assim, mas aquelas palavras acertaram-lhe dessa forma. Com pontaria. No alvo. Nunca nenhum homem lhe dissera que ela era completa. Ela sabia que o homem que assim a descobrisse a teria como sua para sempre. Assustou-se. Tinha-lhe dito que não se dava mas, ali, emocionalmente despida, tinha acabado de se oferecer de bandeja àquele homem quase desconhecido que a queria igual a si mesma.
Voltou para o seu lado, voltou a dar-lhe a mão.
- Se calhar tens razão. Se calhar sou o que descreveste. “Na mouche”. E isso deve ser porque o despertas em mim. Deve ser porque o sou para ti.
Ele puxou-a para si e deu-lhe o primeiro de muitos beijos. O melhor beijo de sempre. Para os dois. Lábios colados “na mouche”, almas juntas que naquele jardim se aproximaram e uniram para sempre.



Sábado, 1 de Outubro de 2011

212 Minutos...


Por vezes há tempos certos. Tempos com cabeça, tronco e membros, com princípio, meio e fim.
Por vezes esses tempos são-nos monopolizados pelo corpo, deixando a cabeça de lado e desregrando o tempo todo. Isso pode acontecer em somente duzentos e doze minutos, quase, quase quatro horas, onde uma vida inteira se resume em gestos desse corpo que não quer com o tempo acabar.
A contagem decrescente começa. Os segundos esvaem-se entre contemplações mútuas naquela mini-vida a dois. O olhar diz que se querem, querem muito, aqueles dois seres que se amam no tempo que foge. Só com esse olhar já se perde a cabeça. Aos olhos juntam-se os lábios que falam, sorriem, resmungam, cantam ou sussurram. Os segundos condensam-se em minutos.
Minutos que passam tão depressa como devagar, que se vão somando em recordações ali depositadas, que dão ritmo ao passar do relógio e batidas do coração. Compasso da música que homem e mulher criam, onde os seus troncos se projectam um no outro, onde os seus membros se fundem, transformando os minutos em horas. Quase, quase quatro horas.
Numa hora sentem-se crianças. Brincam nervosos, tremem ansiosos na (re)descoberta do seu par de aventura, no seu companheiro de vida. Uma vida só de quatro horas, mas uma vida.
E passam para a segunda hora e, quais adolescentes, ardem-se um no outro, e desafiam-se, e exploram-se, e procuram saber o que querem e por onde podem seguir de mãos dadas. Nem que isso os faça cair de cabeça, o que na verdade não faz mal porque estão no tempo adolescente e certo para aprender.
E perdem-se, na ampulheta do tempo que foge, e aceleram-se em beijos adultos nos seus sexos húmidos. Transformam-se vendo o tempo meio gasto, sentem a urgência do que augura o fim. Abraçam-se, rebolam-se, devoram-se, não querendo saber quem são, quem chega, que valores têm, que compromissos devem respeitar. Debatem-se com a visita da morte que já os espreita e entram em ruptura.
O tempo acelera os seus medos, e gritam. O tempo espelha-lhes o amor impossível, e choram. O tempo envelhece-os numa última hora de vida a dois, e fogem. Fogem de amar mais, de se fundirem mais na pele do outro, de atingirem orgasmos incomparáveis, ímpares, inesquecíveis. Ficam velhos e frígidos. Não fazem mais amor nem sequer sexo. Masturbam-se. Aquela morte, mulher negra, traída, vem buscar o homem sem piedade. Deu-lhe duzentos e doze minutos para viver e ele assim o fez. Quase, quase quatro horas, onde ele teve o mundo nas mãos.
A sua mulher-mundo desistiu de viver também, enquanto o via partir, arrastado em modo autómato pela mulher negra. Todavia um rasto do seu fio de vida viril ainda ficou preso na cama dos dois. Enquanto ela se desfazia dos seus bens e certezas terrenos tentou ainda puxa-lo de volta a si, para a cama partilhada durante quase, quase quatro horas. Ele ao longe sorriu-lhe e morreu. Ficou frio, empedernido, uma mera lembrança esfumada da carne quente que noutro tempo tinha sido.
Bateram as badaladas finais: duzentos e dez, duzentos e onze, duzentos e doze minutos. Ela faleceu também, ali, deitada entre lençóis ainda quentes, naquele tempo capicua, que se lê igual de trás para a frente ou da frente para trás. Tempo que no fim vai dar ao mesmo, a um caminho sem saída, cheio de sinais de “é proibido passar”. Foi-se o tempo de cabeça, tronco e membros, com todas as suas partes quebradas em mil pedaços.
O seu corpo tépido de fêmea ficou prostrado no leito aquecido, as suas cinzas mornas esperam agora uma lufada de oxigénio para noutra vida renascer.
Ele não, ele dificilmente terá outra vida, foi devorado pela fria morte dominadora que não lhe deu tempo para ter tempo de querer viver outra vez. Ele sim, sozinho, teve princípio, meio e um amargo fim. 


"Contigo"... Eternamente.

Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

Amando profundamente...



(Qualquer semelhança deste texto com a música “Rolling in the Deep” da Adele não é pura coincidência!)

... porque para ter paz é preciso deixar em paz.
... porque almas gémeas não se deitam janela fora.
... porque com o amor não se brinca, faz-se história.
... porque um lar deixa de o ser se ninguém lá morar.
... porque o sofrimento vale ouro quando com ele aprendemos.
... porque o que é profundo vira superficial quando o desejo se vai.
... porque as emoções mudam à velocidade de cada lágrima que cai.
... porque é preciso parar quando a febre da paixão se transforma em choro.
... porque é preciso remover a podridão para que tudo fique de novo cristalino.
... porque as cicatrizes do amor passado nos mudam o rumo a seguir no futuro.
... porque é preciso desligar as luzes quando a chama se apaga ou queima demais.
... porque pagar na mesma moeda é feio, mas agir em sintonia com o outro não é errado.
... porque um coração que esteve um dia nas mãos do outro pode virar coração de arame farpado.
... porque é preciso ficar sem ar para percebermos que precisamos de respirar de novo profundamente.

"Excepto"


"És um veneno que me corre nas veias,
Que me faz deixar de ter vontade
Excepto de ti...
Tentei deixar-te, libertar-te,
Ir, correr, fugir...
Mas não consigo.
És um vício que me prende,
Que me deixa sem querer
Excepto a ti...
Amordaça-me para que não grite!
Prende-me para que não fuja!
Mas vais sufocar-me...
Mas que seja de beijos
Venenosos, viciantes...
Que não me deixem sentir
Excepto a ti...
Mas vais marcar-me
Mas que seja de lenços de cetim
A vendar-me os olhos...
Que não me deixem ver
Excepto a ti...
Mas vais ter-me
Desde que seja dentro de mim
A dar-me prazer...
Prazer que não tem fim
Assim, por ti...
És um veneno que me vicia,
Que não me deixa ser eu
Excepto para ti..."


(para ir ao blog, carregar no nome da autora)

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

Ai!...


Ai! Já chega! Já chega de esperas, de compassos, de vagares e de pausas.
Ai! Já chega! Já chega de segundos que se estendem pelas horas e pelos dias, não se lhes avizinhando um fim. Nem um princípio. Nem um recomeçar de nada.
Já chega! Ela vai segura-lo pelos colarinhos, encosta-lo à parede mais próxima e beija-lo até não mais poder. Sofregamente. Com sede, fome e avidez devoradoras.
Já chega! Ela vai deixar-se tomar nas suas mãos, quebrar o jejum do seu corpo, sorver-lhe a pele e beber o seu suor. Salgado. Temperado.
Já chega! De sal sem pimenta, de olhares doces sem beijos ácidos, de apetites venenosos sem antídoto.
Ai! Já chega! Não… na verdade não chega. Não chegará nunca. A paixão inexplicável é imortal, não se basta com nada, não se fina em prazos de morte certa.
Ai! Não chega! Contra aquela parede, colarinhos no chão, as penetrações de sexos só gritarão por mais:
- Ai! Não pares… Não chega!